segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Soquei seu rosto, mas minha mão também doeu

 Era madrugada e tudo começava a fazer sentido. Todos os sons queriam ser ouvidos. Todas as vozes queriam ser pronunciadas, menos a minha.
 Era 3:44 da madrugada de uma terça-feira de verão e eu estava arrepiada. Meu corpo tinha febre e frio e meu estômago tinha náuseas. Eu havia feito o que deveria há muito tempo. Eu fiz o que todos duvidavam. Eu disse a verdade mais dolorida que já poderia ter dito em minha vida.
 Ninguém acreditava, mas doeu mais em mim do que nele.
 Ele sentiu um tapa na cara. Tapas tiram a honra, dão dor. Mas eu senti um soco na boca do estômago, socos te tiram o ar, te dão hematomas.
 Ele não conseguia dormir, rolava de um lado para o outro na cama sem achar uma posição confortável, ou talvez fosse só sua mente que estava em zona desconhecida, tentando pensar em algo que não fosse em mim, a menina que ele achava que tinha.
 Já eu, eu não conseguia parar de chorar. Como eu pude fazer tão mal a alguém? Como pude ser tão egoísta? Ao tentar sentir, fiz crescer algo que jamais poderia ter existido. Iludi sem saber que o estava fazendo.
 Chorei por ele, chorei por mim. Após tudo o que me fez, após toda a dedicação e sentimentos que transbordavam seu ser, eu não consegui sentir. Nunca entenderei o motivo. Mas agora, só agora (como vem acontecido nos últimos anos), me sinto alguém de alma deturpada e coração estragado. Alguém que não merece amor porque não sabe retribuir.
 Me sinto eu.

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